31/8 - الدار البيضاء (Casablanca)
Casablanca é como algumas mulheres que já passaram pela minha vida (curiosamente, as que me vêm à mente, não por minha cama. O leitor atento saberá supô-las...): fedidas em seu centro, conquanto até enganem bem em suas periferias. Hoje, até por falta de mais coisas para ver (museus fechados à segundas-feiras, locais visitáveis de acordo com o guia que o instruí o Chat-GPT a escrever para mim, mas que, na realidade, não o eram...), passamos bom tempo simplesmente batendo pé pela cidade. Com vastas regiões podronas como as que descrevi ontem, indistinguíveis de nosso Brás, mas com alguns bairros mais residenciais e de classe mais alta até que bem agradáveis e bonitinhos.
E tem coisas que, dadas as contingências, a gente come uma vez por ano. Como aquela prima que mora no México e vem visitar a família em época de festas, sem o marido... Ou o McFish, tirado do cardápio no Brasil! Filhos da puta! Hoje foi dia!!! Hoje teve!!! Outros virão!
Fiquei com a impressão de uma Bueno Aires, cidade da qual nunca consegui gostar, certamente porque sempre fiquei hospedado naquele centrão feio deles, perto daquele monumento de piroca. Quando consegui ir conhecer regiões mais bonitinhas, a impressão inicial formada da cidade já era tão ruim que aquilo parecia mais um ponto fora da curva do que uma porção tão legítima da cidade quanto as demais.
Tínhamos marcado uma das infames caminhadas pague-o-quanto-quiser para a manhã de hoje, que o guia acabou desmarcando, por meio de uma mensagem em inglês, bem truncado, enquanto tomávamos o café da manhã. Café saboroso e barato! Propôs que a fizéssemos em sua janelas das 14:00, que consegui fazer com que admitisse só ter a nós dois matriculados. Não teríamos assim como fugir do grupo inexistente no finalzinho, e de algo que, se o inglês falado fosse tão bom quanto o escrito, seria bem incompreensível, além de forçosamente pago.
Inventei eu uma desculpa qualquer e desmarquei também, então, e fomos bater perna por conta, com o sol inclemente sobre nossas carcaças. Nas calçadas e salões dos cafés pelos quais passamos, não 95 ou 99% dos frequentadores eram homens, mas acachapantes e incontestes 100%. Nas dezenas de locais pelos quais passamos, apenas em um vimos uma moça loirinha sentada ao lado de um outro cara. Então era turista, não contava. O acordo aqui é este: os homens, provavelmente desempregados, passam suas tarde sentados numa mesa de café olhando para o infinito, e as mulheres, sei lá se vestindo suas burcas ou não, ficam em casa ensinando as filhas que se masturbar é pecado.
Já na viagem anterior não havia tido a oportunidade de consumar meu ritual anual de entrar em uma missa e comer uma hóstia. Sei lá se nesta terei, mas tive hoje meu dia de muçulmano. Na cara dura disse ao guardinha em frente à mastodôntica mesquita da cidade que sim, eu o era, porque infiéis só podem entrar nela durante as visitas pagas, tirei meus pisantes e lá para dentro fui, me ajoelhar e levar a testa ao chão pra dar aquela disfarçada. Mais uma fez, apenas homens a lá dentro, alguns com o celular mais presente nas mãos do que com Allah no coração. Provavelmente jogando tigrinho.
Bom, é isso aí, deu pra mim de Casablanca e seu aroma de urina. Digo aqui para o meu grande e incorrigível amor Ana Paula, enquanto esfolio os meus dedos passeando por suas celulites: Sempre teremos Paris...
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