02/9 - مراكش (Marrakech)
Vivendo e aprendendo umas coisas inúteis. A língua que aparece nas placas do Marrocos ao lado do árabe é o amazigue, ou bérbere, e o alfabeto em que é escrita é o Tifinagh (ⴰ ⴱ ⴳ ⴷ ⴹ ⴻ ⴼ ⴽ ⵀ ⵃ ⵄ ⵅ ⵇ ⵉ ⵊ ⵍ ⵎ ⵏ ⵓ ⵔ ⵕ ⵖ ⵙ ⵚ ⵛ ⵜ ⵟ ⵡ ⵢ ⵣ ⵥ). Imagino se alguém por aqui ainda fala esta merda ou é uma língua mais morta do que meus corpos cavernosos, como o gaélico, que uma vez perguntei ao recepcionista do hotel em Cardiff se alguém por lá ainda falava.
A vinda pra Marrakech levou umas 5 horas, passando por Casablanca e pelo aeroporto tudo de novo, num daqueles trens com cabines com quatro e quatro assentos não reclináveis, uns na frente dos outros. Me lembrou de uns tantos idênticos que tomei em meus primórdios de viajante pela Europa, com o saudoso Europass, quando entrava em uma cabine vazia e ficava torcendo para o trem partir logo e ninguém mais entrar nela, para poder me contorcer em posição semelhante a um me deitar e tentar passar a noite dormindo. Raramente acontecia. Não foi o caso de hoje. Cabine lotada a viagem inteira, sem espaço para esticar ou cruzar as pernas, e ao longo de todo o percurso sendo acometido por umas lufadas de cheiro de bosta, que não descobri de onde vinham, até porque o vaso sanitário do lavatório era apenas um buraco que dava direto para os trilhos, nesta rota do excremento.
Em Marrakech, o tempo mais uma vez colaborou um pouco, bem pouco, com um nubladinho bastante constante. Mas, mesmo assim, a temperatura batia nuns 40 graus, com aquele mormaço que ardia mesmo sem o sol queimando diretamente a pele. Já quase ao cair da noite, o vento era forte mas quente, muito quente! Pela primeira vez na vida me senti tocado por um vento que esquentava, em vez de em algum grau aliviar o calor.
O hotel não tem banheiro no quarto nem condicionador de ar, apenas um ventilador, que sopra aquele ar, sim, isto mesmo, quente.
Chegando aqui após uma caminhada de uns 4 km desde a estação de trem, minha calça estava tão encharcada de suor que parecia que eu havia cagado uns 3 litros de soro fisiológico dentro dela.
Marrakesh me pareceu o oposto de Casablanca: aquele lugar massivamente turístico (e portanto minimamente mais bem cuidadinha), um mercadão interminável de lojas de lembrancinhas e lembrançonas para as amantes dos visitantes, mas pelo menos com uma variedade maior de cacarecos, tornando o flanar pelas ruelinhas menos desinteressante. De resto uns museus de temáticas bem maçantes, pagos, assim como até mesmo alguns jardins, não restando muito a fazer senão simplesmente caminhar a esmo pela cidade, o que seria muito satisfatório sob 10 graus, não 40.
Nos inscrevemos em uma caminhada no fim da tarde Enquanto observávamos de longe se mais alguém chegava, éramos abordados por encantadores de serpentes e donos de macacos acorrentados, que tentavam cobrar para que fossem fotografados em nossos colos. A coisa me remete a uma postagem que vira e mexe o algoritmo do Facebook seleciona para mim, sobre uma moça que teve a face totalmente estuporada pelo ataque do chipanzé de estimação da amiga.
No final, apenas um casal apareceu, o que fez com que abortássemos nossa própria presença, porque seria dificílimo fugir de um grupo de 4, e ia ter que morrer uma grana medonha. Marquei mais duas para amanhã, para ter novas chances de grupos maiores. Em uma delas, o guia já escreveu "sugerindo" o pagamento de € 10 se a caminhada for satisfatória, 20 se for muito boa e 30 se for excelente. Não é um bom começo. Vai ficar chupando o dedo amanhã, maluco!
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