03/09 - مراكش (Marrakech)
Hoje o nublado não ajudou tanto. Firmou-se apenas à tarde, deixando a cargo da manhã bastante sol para curtir o lombo do vivente. Em compensação, a tarde, que prometia 40 graus de acordo com o aplicativo de meteorologia, foi apenas insuportável, e não exasperantemente escorchante. Meu consumo da insossa e, no caso daqui, morna água mineral é contínuo e interminável, porque a Ana Paula precisa evitar que suas estrias senis desidratem, e fica me pressionando para comprar garrafas e mais garrafas, senão vai voltar para o Reynaldo Gianecchini. Resta saber se o Gianecchini vai querer voltar pra ela.
A caminhada de ontem, em inglês, que, intui-se, arregimentaria mais gente, teve apenas um casal interessado, mas a de hoje, meramente em espanhol, lotou, vai entender. Tivemos um guia bérbere, mas que aparentemente, falta-me competência para avaliar, falava bem compreensívelmente a língua. Consegui entender boa parte, pelo menos. No final do percurso, nem foi necessário dar aquele cada vez mais envergonhada fugida à sorrelfa, porque, depois de deixar o grupo numa loja de poções mágicas e terapias florais que lhe pagava comissão para terminar o trajeto lá, meio que desapareceu.
Seguimos então para passar na frente de mais algumas ruínas e jardins meio fajutos com entrada paga, tudo muuuito desinteressante. Lugares em que eu talvez, possivelmente, entrasse caso me pagassem, mas certamente nos quais não pagaria, e não paguei, para entrar.
Fiquei pensando: que cu, um país absolutamente merda, que não tem nada de muito interessante para mostrar, bota umas catracas na entrada de umas muralhas meio semidestruídas ou umas tumbas meio qualquer coisa, cobra um ingresso meio baratinho, e tenta chamar isto de turismo pra tentar girar alguns trocados pra economia.
No almoço, tiquei meu último ítem gastronômico local: tajine, pastilla, tajia, chá de menta. Lista completa saboreada, meio como a lista das integrantes da minha panela do internato. A pastilla tava até que digna. O resto, sinceramente, não deixa muita saudade. Assim como boa parte das integrantes da panela. A vida via de regra é insossa, em vários aspectos.
À tarde fui comprar uns cacarecos para as pessoas que moram em meu minúsculo e peludo coração, e exercitar meus dotes de pechinchador. E achar que, ainda assim fui enrolado. Nêgo começa pedindo 200 dirhams, após alguma disputa acaba deixando por 70, e abre um puta sorriso no rosto quando é pago, dando a entender que te fez de otário, e merda que você comprou valia uns 20.
Êta paisinho bosta! Sobrevivi a 5 dias disto aqui, e levo queimaduras de segundo grau no pescoço, testa e orelhas, para nunca mais voltar. Pelo menos tinha Baskin & Robbins nesta porra.
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