18/09 - Heidelberg
Mais um dia começado da solidão de meu quarto exclusivo de hotel para a chuvinha lá fora hoje. Menos do que em Londres ou Chisinau, mas o suficiente para ativar as capas de chuva e meias impermeáveis. Me chamou a atenção como o guia sobre Heidelberg que pedi que o Chat GPT me escrevesse retornava ao "se estiver chovendo", finalmente entendi por que. Explicitamente oferecia alternativas a caminhadas por trilhas e terrenos escorregadios, mas é exatamente o que fui fazer, subir morro acima em direção ao castelo, pra não pagar bondinho, e depois o próprio Philosophenweg, passandopor umas picadinhas pelo meio da floresta.
Em momentos diferentes desta viagem descobri que meu proverbial saco corrosivo havia feito vítimas as duas calças que eu trouxe para a viagem, uma delas já há algum tempo, mas a peguei sem perceber, e a outra bem mais recentemente, porque havia sido comprada a, estourando, uns 3 meses.
Como resultado dos dois buracos nas calças, comecei a, com o atrito, abrir buracos também nas coxas, e passar boa parte do dia puxando a calça pra cima, andando mancando, de pernas meio abertas, como se tivesse dado a bunda para um rottweiler dotado.
Havia encontrado uma caminhada para hoje, a única da cidade. Ao chegar ao local, parecia haver um grupo grande ao redor do guia, pensei que conseguiria me afastar deles no final, com as coxas sangrando, sem maior dificuldade. Mas eram apenas senhorinhas aguardando o ônibus de sua excursão. Caminhantes mesmo, éramos só 4, mais o rapaz. Tive que lançar mão de uma estratégia alternativa: enquanto os outros passavam meio escondidinho uma graninha para a mão dele, passei apenas um aperto agradecido dizendo que voltaria à caminhada dele amanhã, com o resto da família, que chegaria à cidade hoje mais tarde. Se ele acreditou, não sei. Mas voltou a cruzar comigo numa cantina estudantil que havia mencionado um pouco antes, e me comprimentos, ao contrário da moça de Chisinau da qual fugimos, e que, com toda a razão, nem me enviou um e-mail que havia prometido ao resto do grupo, com sugestões de lugares em que comer e para visitar.
A comida da cantina, em si, nada diferente de um quilo convencional, e, pra quem não era estudante, a preço de Alemanha. Morreu uma grana que poderia ter sido gasta em coisa mais interessante.
Em seguida caminhei para um centro cultural lá lonjão na periferia, onde hoje haveria uma feira de comida internacional (que, disse o Chat GPT, provavelmente não seria gratuita), e apresentação de músicas de diversas partes do mundo.
Lá finalmente chegando, encontrei algo mais próximo a um centro comunitário, cheio de famílias de etnias bem menos européias e uma renca interminável de crianças. Era um evento infantil!
Para comprovar que o Chat GPT sempre erra, até às vezes para melhor, a comida era gratuita, mas lastmável. Não me arrependi de já ter comido antes. E as bebidas tinham que ser compradas. Quando estavam entrando no anfiteatro, passei por uma garrafa de refrigerante que haviam comprado, dado dois goles e largado lá em cima da mesa. Problema resolvido. Espero que a pessoa não tenha sapinho. Ou não seja uma criança que tenha cuspido lá dentro.
A apresentação musical, em si, selecionada e interpretada por musicoterapeutas e suas criancinhas disléxicas, era aquela balbúrdia com moleques pulando, gritando e chorando o tempo todo, prestando menos atenção no palco do que vocês prestam neste blog, ao contrário do silêncio helenkelleriano da apresentação da violinista na noite passada.Às vezes os adultos tocavam e cantavam sozinhos, e aí a coisa ficava mais interessante. Tocaram por 1 hora e deram um intervalo. Continuariam a apresentação depois. Eu teria permanecido, mas a caminhada de volta era grande, e eu queria ver se ao menos uma vez nesta viagem eu conseguia ir dormir antes de uma da madrugada.
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