29/09 - Gdańsk

A diária do hotel não incluía o café da manhã. Não me impediu de entrar no salão pra dar uma olhada na mesa, e provavelmente poderia ter ficado, ninguém estava controlando o acesso. Mas aprendi minha lição com a comida de lounge de aeroporto: não vale a pena me empapuçar de uma qualquer coisa sem graça, só porque é de graça, e depois estar sem fome ou ânimo para comer o que realmente interessa. Então apenas roubei um iogurte e segui para o centro da cidade, e para a caminhada de hoje. No caminho, comi um croissant com recheio real de framboesa. Com aquele sabor não ruim, mas que não lembra tanto assim uma bala 7 Belo, e aquelas sementinhas destruidoras de obturação. Ainda assim melhor do que aquele café da manhã padrão de hotel com o presuntinho, o queijinho, a geleinha ...


Não esperava que Gdansk fosse uma cidade especificamente terústica, mas hordas e hordas de grupelhos de turistas, como o nosso, disputavam as ruas e a frente dos lugares instagramâveis, quase em nível Dubrovnik. O guia da caminhada de hoje era um sujeito simpático, sorridente, talvez se esforçando um pouco demais para agradar. Culto, citando Schopenhauer com aceitável precisão e tudo, mas não entusiasmou tanto com o que dizia. Talvez muito histórico, falando pouco da vida cotidiana. Nem por isto deixei de aproveitar as dicas que deu sobre onde almoçar, e quais museus estavam abertos e gratuitos hoje. Como o da segunda guerra mundial, pela frente do qual eu apenas teria passado, sem entrar. Economizei uns 50 reais. Mais a gorjeta que não paguei para o cara, claro.


Pro fim da tarde, a ideia era caminhar pela região do estaleiro, reconhecendo aqueles guindastes da capa do disco do show do Jean-Michel Jarre. Até entrei sem ser incomodado, mas depois de uns 2 km me embrenhando naquilo, me dei conta de que era um terreno privado, sem saída pela outra extremidade, e tive que voltar tudo até a entrada.


Ainda assim, cheguei razoavelmente cedo no hotel. Sozinho, de saco meio cheio, já meio apelando, resolvi ir novamente ao cinema. Não conseguia confirmar na internet quais filmes e horários, que estranho... Tomei banho, passei no supermercado, comprei umas merdas pra comer durante o filme, fui correndo para lá, já um pouco atrasado, apenas para descobrir o lugar fechado para um evento. Noite terminada então com sessão particular de Netflix mesmo. Agora, enquanto escrevo o blog, assisto o show do Jarre, percebendo seu olhar meio autista e desconcertado, escutando seus comentários puxa-saco meio bobos anticomunistas, e me convencendo ainda mais de que ele apenas finge estar tocando aqueles instrumentos, fazendo playback de si mesmo.

Termino hoje com o quadro pendurado na parede em minha frente no quarto. Sou só eu que estou aqui faz tempo na seca imaginando coisas?

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