30/09 - Lublin


Quando a gente vem cagado no mundo, não tem lencinho umidecido que dê jeito, brother.
Como se não bastassem os atrasos das companhias aéreas, hoje eu consegui perder uma conexão de trem por atraso da primeira perna. Prenúncio da catástrofe que se aproxima....

Ao chegar na estação em Gdansk, li que o primeiro trem estava 7 minutos atrasado. Com uma folga de mais de 20 minutos entre os dois, o que em termos de conexão ferroviária é bastante tempo, não me preocupei muito. Mas aquela porra era um pinga-pinga do caralho (além de praticamente lotada e sem janelas abertas, causando uma sovaqueira severa, e da menina ao meu lado a viagem inteira passando maquiagem, batom, creminhos e, vez ou outra, espirrando perfume em si, que me atingia também...), e foi atrasando mais, acabando por chegar em Varsóvia quase 10 minutos depois da partida do segundo.
Consegui trocar o bilhete por um da próxima partida, que contudo só aconteceria daí a quase 2 horas. Fiquei ali naquela situação de uma hora e meia ociosa, com a corcova nas costas, sem fome porque havia há pouco tomado o iogurte e um bolinho que havia roubado do café da manhã do hotel mais cedo.
Muito tempo pra ficar ali sentado no chão, pouco tempo e muito peso pra ir fazer alguma coisa interessante. Respirei fundo e me animei a pagar os 30 reais da entrada de um museu do neon, que ficava ali perto, no gigantesco Palácio da Cultura, onde, há alguns anos, já estive para a feira da maratona de Varsóvia. Mas até (não) descobrir efetivamente como entrar naquela merda, já tinha menos de uma hora disponível, e então abortei.
Acabei almoçando, sem muita fome, mais pierogi, que decidi que nesta reta final vou enfiar tanto na bunda que vou acabar me fartando por alguns anos, e boba tea. No final, foi aquela passadinha a jato por Varsóvia, o tempo todo olhando pro relógio, mas já vivi atrasos mais catastróficos, inclusive nesta viagem. 
Finalmente dentro do segundo trem, percebi que ele fazia o trajeto contrário ao da chegada na estação central, pra depois em alguma encruzilhada pegar o caminho da roça pra Lublin. Se eu soubesse, podia ter descido uma parada antes, tendo chegado assim uns 5 minutos mais cedo, para pegar o segundo trem uns 5 minutos mais tarde, e não o teria perdido.
E consegui pisar num cocô em algum momento da minha voltinha. Achei que havia alguma coisa malcheirosa na pierogarnia, mas o aroma continuou na lojinha de milk tea e depois no trem. Como o meu tênis maneiro tem uma concavidade na sola onde o bicho se alojou, nem adiantava esfregar o pé no carpete do vagão...


Cheguei em Lublin, com também o segundo trem uns 20 minutos atrasado, já escurecendo. Depois de largar a corcunda no hotel, voltei até o centro pra poder dizer que fiz alguma coisa na cidade. No escuro, passar pela primeira vez em algum lugar é pouco satisfatório. Na área mais movimentada, que tem uns 3 quarteirões, os lugares com comida se dividiam entre bares, restaurantes típicos poloneses e, curiosamente, uma dúzia de casas de kebab. O lugar que tinha pierogi só o tinha durante o dia, e acabei comendo algo que não era muito mais do que um salgado, e que precisou ser suplementado com salgadinho de loja de conveniência. Doritos doce, foi a grande sacada da cidade até o momento.

E, pra afogar a mágoa do solidão, hoje Aderbal ficarâ alcólico.

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