01/10 - Lublin

Campo de concentração é que nem mulher: se já visitou um, já visitou todos. Mas campo de concentração também é que nem mulher: depois de um tempo sem entrar em nenhum, até dá aquela vontade de entrar em algum de novo.
Então lá fui eu para Majdanek. Auschwitz é mais perturbador, ou talvez tenha sido o efeito de marinheiro de primeira viagem. Mas aquilo mexe sim com você. Peguei-me, defensivamente, em certo momento fazendo uma graça qualquer e sendo admoestado pelo guardinha, o que, junto com os cascudos que eu dava na Persephone por ter voltado a fazer xixi em qualquer lugar, antes de perceber que era porque ela estava demenciada, velhinha e morrendo, além de coisas mais inconfessáveis, foi um dos pontos baixo de minha carreira de ser humano. Desta vez, macaco velho carregando as cicatrizes dos próprios erros, nem quis tirar a máscara do bolso.




Foi uma longa caminhada para ir, longa caminhada lá dentro, e a mesma coisa para voltar depois. Simplesmente passando pela cidade e sua periferia, paisagem urbana e parques bem aceitáveis, ainda que não como os dos batidões de perna que desta vez dei em algumas cidades da Alemanha.




De volta ao centro, me dei mais um pierogi de almoço. Desta vez numa versão mais cara mas também mais generosa. E agora chega, deu, empapucei! Porque pierogi é que nem mulher, depois que a gente come umas tantas vezes, perde um pouco a graça e urgência.
Não achei a escolha ruim em termos absolutos, mas logo mais adiante tinha um fast food com pratos orientais que me pareceram ainda mais apetitosos. Tarde demais. Estas escolhas gastronômicas, entre outras, têm um elemento fortuito, às vezes se ganha, às vezes se perde. Logo depois, em compensação, tomei, de uma janelinha na rua, um affogato com sorvete de caramelo salgado quevaleu ao almoço uma menção honrosa. 





Bati mais um tanto de perna para estar bem esgotado para a viagem de trem de logo mais, voltei para o hotel torcendo para que a recepcionista que nunca estava presencialmente lá não cagasse no pau e aparecesse para devolver minha mochila guardada, voltei para a estação, onde a portinha na qual comprei uma bomba de creme indescritível pela manhã já estava fechada, e embarquei para mais 5 horas de viagem. 
Foi um erro fazer estes percursos pela Polônia de trem. País grande, percursos longos, atrasos ferroviários frequentes. Mas qual era minha alternativa, para chegar nestas cidades menores? Poucas têm um aeroporto próximo, ônibus é pouca coisa mais rápido e tinha horários muito desfavoráveis, então foi o que me restou.



E o que está dose de aguentar é o vento minuano que entra ali pelos rasgos da calça, dá aquela lambida nos meus bagos e então gela as minhas coxas. Agora a outra calça já esfurdricou tudo também, toda noite eu recosturo, e nos primeiros minutos do dia seguinte, conforme ando, vai esgarçando mais ainda e tornando os furos ainda maiores.

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