03/09 - Katowice


Imaginei que o trem de Cracóvia para cá seria o mais tranquilo, só uma hora e pouco de viagem, mas na verdade o bicho fazia uma rota de umas 12 horas de duração, com Katowice como só a primeira parada, então foi lotado, infestado de, sei lá por que, chineses com malas enormes, quase baús, que não cabiam no compartimento de bagagem acima das cabeças, e era deixadas no corredor, inviabilizando a passagem de pessoas. 

Esta corrida, finalmente, a primeira, tem trajeto robusto, uma única grande voltona, sem repetição. Mas sai de e chega lá longe. Hoje fiz o caminho andando, e voltei filando ônibus de graça, por conta e risco. Amanhã o transporte é gratuito pros corredores, mas, mesmo que não fosse, ia ter que apelar. 
No caminho encontrei um parque de diversões. Meio fuleiro, mas tem umas duas montanhas russas. Nesta viagem, como eu jâ disse, não houve a oportunidade de incluir nenhum. Se fosse baratinho, talvez amanhã eu desse um pulo lá, no meio da tarde que fosse, depois da corrida, e sozinho que fosse, com aquela cara proposoapráxica de quem está lá cumprindo tabela. Mas a entrada custa mais de 200 reais. Por umas 4 horinhas, pós-corrida, sozinho, não é uma boa relação custo-benefício...

Havia uma feirinha razoável lá na distribuição dos números, mas, de graça mesmo, só estavam dando macarronada e café, ambos com grande fila. Pra ganhar uma garrafa de água saborizada, tinha que tentar a sorte naquela maquininha de pescaria com a garra. São os paradoxos da vida: Trato dependentes de jogo há uns 30 anos, e tenho um pai que jogou fora uma boa grana especulando em bolsa de valores. Do Panamá;  Tirando os cassinos de Las Vegas e Macau, pelos quais só transitei por turismo, entrei uma única vez na vida em um bingo, e saí com 10 reais no bolso; Nunca havia jogado nestas máquinas de pegar ursinho, mas hoje, de primeira, consegui catar minha bola e ganhar minha garrafa de água. Acho que, pra dar conta do tédio da solidão do resto da viagem, vou começar a jogar tigrinho. 

No fim da tarde, por sugestão do Chat GPT, fui à apresentação gratuita de um dueto de meninas góticas pouca coisa mais velhas do que aquelas adolescentes de ontem que manifestaram furiosa e pulsantemente transtornada libido pela minha pessoa. Começo de carreira ainda, meio inseguras no palco, mas simpáticas (sem saber que eram elas o grupo, conversamos brevemente no balcão do teatro, onde fui procurar confirmar que a apresentação aconteceria), e fazem boa música! Espero que sejam grandes um dia. Mas o show pode passar bem sem o incenso que acenderam lá na boca do palco (e eu, lá no cheira-saco...), empesteando todo o ambiente, e me causando o risco de uma dor de cabeça na véspera da corrida. żakiety, guardem este nome.

À noite, tinha um festival de Paul Verhoeven, não gratuito, num cinema aqui perto. Showgirls, de reputação bem medonha. Como teria que pagar para assistir porcaria e amanhã acordo cedo pra corrida, abri mão. Encontrei um restaurante de ramen, no qual resolvi, contrariando tudo o que disse há pouco, emendar outro filme, em outro cinema, também pago mas pelo menos não mal-falado, simplesmente uma aventura comercial. O lugar tinha fila avançando pela calçada, então o filme acabou dançando. Mas o macarrão era bom.

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